segunda-feira, 25 de abril de 2011

SISTEMA DE CICLOS E PROCESSO DE AVA-LIAÇÃO DA APRENDIZAGEM



SISTEMA DE CICLOS E PROCESSO DE AVA-LIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Tem-se, hoje, que o fracasso do aluno decorre da ausência de um equacionamento entre identidade cultural e itinerário educativo. A esco-la tradicional não se preocupava com a origem do aluno, com o seu meio de vida e mantinha uma relação de conteúdo autoritário, um crité-rio de avaliação rígido, limitado. Agora, o professor tem que apostar na capacidade de ousadia, de invenção do aluno, apoiar-se em seu poten-cial, tornando a avaliação um ponto que não pode ser fechado.
Como na pedagogia do educador francês Freinet, a concepção é de que o aluno não vai à escola para tirar notas, vai para aprender, para crescer, para se desenvolver. A avaliação do aluno deve ser individual, apoiada em suas aptidões. Anísio Teixeira já pregava, nos anos idos de 50, o ensino individualizado e conseqüente avaliação individualizada; o aluno sendo avaliado de acordo com sua capacidade, ajudando a afas-tar a repetência.
No sistema de ciclos, adotado no Estado de São Paulo e em outros Estados, no ensino fundamental, o aluno não tem seu aproveitamento avaliado através de provas periódicas, com notas, que, totalizadas no final de cada ano letivo, determinariam sua promoção ou sua retenção. Não há mais o calendário oficial de provas, mas ele não exclui a avalia-ção do aproveitamento do aluno.
Segundo o que dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a avaliação deve ser feita no dia-a-dia da aprendizagem, utili-zando-se das mais variadas formas: participação em aula, atitude do aluno frente a aprendizagem, freqüentes verificações e anotações da assimilação dos conteúdos... A avaliação deve incorporar, à educa-ção formal, a experiência de vida trazida pelo aluno de seu universo familiar, social e de trabalho, o seu amadurecimento pessoal. As disci-plinas devem estar integradas, ajustadas a um currículo flexível. A es-cola estabelece uma relação pedagógica de interação, de dar espaço para o outro e de respeitar o conhecimento do outro.
Avaliar é diagnosticar o desenvolvimento do aluno ao invés de jul-gar. A principal função do processo de avaliação não é dar uma nota, mas aperfeiçoar as situações da aprendizagem e do currículo como um todo. É verificar se o aluno está aprendendo, se a proposta pedagógica está dando resultado, se a aprendizagem está no caminho certo.
Conhecer as medidas educativas ajudam a entender o processo de avaliação e o melhor meio de contemplá-lo. Vejamos, sucintamente, sua evolução através dos tempos.
No passado, não tão distante, os professores tentavam julgar o de-sempenho do aluno em função do que eles próprios sabiam e do que julgavam ter transmitido. As notas variavam de zero a 10 e se regula-vam pelos acertos e pelos erros. Esse era o chamado método autocrá-tico de avaliação – avaliação centrada no professor – que deixava ao mestre uma ampla margem de arbítrio. Na evolução do processo, pas-sou-se a reagir contra a adoção de padrões apriorísticos de avaliações, especialmente pelo teor de subjetividade. Não competia ao professor estabelecer de antemão o que o aluno devia saber. Pelo arbítrio, um professor benevolente podia aprovar a todos e um professor rigoroso reprovar em massa. 
Avançando no processo, contra a avaliação autocrática, surgiu a avaliação normativa – baseada no grupo de alunos. A referência não era mais a sapiência do professor, mas o aproveitamento médio da classe. Se todos os alunos apresentassem rendimento baixo, não seria justo reprovar a todos. Ter-se-ia que indagar as causas desse resulta-do. Passou-se a questionar o potencial dos educandos, as condições ambientais, condições de vida, deficiências das aulas, falta de confiabi-lidade das provas e outros, o que já era um grande avanço. A avaliação normativa permite saber em que posto de percentil se encontra deter-minado estudante, ou seja, a sua classificação no grupo. 
A teoria clássica da medida surgiu do interesse em medir aptidões dos indivíduos. Buscaram-se medidas capazes de discriminar entre indivíduos dotados de maior aptidão. O grau de aptidão de cada um era estabelecido em função do grupo, através das provas de desempenho. Mas, em determinadas situações, o interesse do avaliador consistia em estabelecer se cada indivíduo alcançou um conjunto específico de obje-tivos. Neste caso, ele não seria comparado com seu grupo, mas referi-do a um critério (um padrão de desempenho previamente especificado).
Da medida centrada no professor, evolui-se para a medida normati-va, concebida como discriminatória dos diferentes indivíduos, chegan-do-se à medida baseada em critérios. Esta preocupa-se com a se-qüência e individualização da instrução que surgem das unidades e módulos progressivos. Concluiu-se que a norma incentiva a rivalidade e compromete o autoconceito de alunos de baixo desempenho e passou-se a se preocupar com o rendimento mínimo. 
Para a medida baseada em critério, uma vez estabelecidos os obje-tivos essenciais, em termos de comportamento, cumpre verificar se o aluno atingiu as metas prefixadas. Sua posição relativa ao grupo seria questão secundária. O aluno é avaliado por um conjunto específico de objetivos. Seus princípios são usados em programas de instrução indi-vidualizada, instrução programada. 
A avaliação baseada em critério é importante porque ressalta a ne-cessidade de um rendimento mínimo. Exigência que requer o desenvol-vimento das habilidades básicas essenciais, adquiridas antes das habi-lidades hierárquicas superiores.
Todas essas medidas educacionais são de importância e cada uma terá valor maior, dependendo do momento da aprendizagem e do obje-tivo a que se propõe. As várias abordagens não se excluem, antes se completam. Contudo, o professor, seja qual for a medida a tomar, não pode esquecer que a parte mais importante, em determinadas circuns-tâncias, é o potencial do aluno. O professor, conforme o momento, avalia o desempenho, as diferenças individuais, a classificação hierár-quica e o potencial do aluno. Acima da norma ou do critério, o foco central da avaliação é o aluno em sua especificidade. Propõe-se que na educação fundamental a aferição do conhecimento deve ser feita em função das aptidões da criança. Nesse grau de ensino, a posição do aluno em seu grupo, o grau de desempenho que atingiu não é tão importante. O fato de ele estar se realizando potencialmente é que deve ser considerado. 
A norma, o critério e o potencial são componentes da avaliação, conforme as circunstâncias, um dos componentes reveste-se de maior relevância. A finalidade a que a aprendizagem se destina é que vai dizer, em cada caso, qual dessas medidas devem ter maior peso.

PARTE DO LIVRO PRATICA PEDAGOGICA
ISABEL SADALLA GRISPINO
Disponível em: http://partilhandosugestoesescolares.blogspot.com

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